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UMIDUS-I> Adriano Escanhuela


UMIDUS - OPERAÇÕES FOTOGRÁFICAS EXPANDIDAS


Na contramão da avalanche de imagens digitais produzidas no contemporâneo, sua nova função de impermanência e desaparecimento nas mídias sociais, da estética do banal, do pequeno, da fluidez do tempo, da escravização do gesto do braço, da dependência do visor luminoso e da falta de reflexão sobre o que se vê, este projeto explora justamente o contrário, resgatando a fotografia analógica no momento de sua gênese, cuja função era outra, contemplativa, e exigia uma outra relação com o tempo, tanto de concepção e produção da imagem quanto de observação e entendimento da visualidade.


O Projeto Umidus leva esse nome em latim, cujos sinônimos são umida, umidum e refere-se à umidade, aquilo que é impregnado de água ou com vapor de água. A água como substância formada por hidrogênio e oxigênio, líquida, transparente, incolor, insípida, inodora, indispensável para a sobrevivência da maior parte dos seres vivos. A água como condição da vida, da existência, manifesta em forma de chuva, lágrimas, suor, seiva, urina e repleta de brilho, ondulações, veios, reflexos, fluidez. Água como fronteira limítrofe de terras e mares. Água como processo.


Neste contexto o projeto adota a combinação de duas variáveis na investigação do fazer artístico, ambos com um elemento em comum: a umidade daquilo que é repleto de água, sendo o primeiro "O Rio Tietê", curso d'água do estado de São Paulo que passa por 62 municípios e o Processo Fotográfico Histórico do século XIX nomeado Placa Úmida de Colódio, Ambrotipia.


O Espaço a ser investigado é o dos municípios que nasceram em suas margens, principalmente aqueles com menos de 100.000 habitantes. Já o Processo Fotográfico Histórico do século XIX escolhido chamado Placa Úmida de Colódio, cujo nome oficial é Ambrotipia (do grego ἀμβροτός - imortal , e τύπος - registro, impressão), inventado em 1848 pelo inglês Frederick Scott Archer (1813-1857), mas introduzido apenas em 1851, é uma técnica de aplicação ainda líquida, úmida, de uma solução viscosa de piroxilina (colódio), numa superfície de vidro ou metal como suporte. Aqui a linguagem se enriquece na medida em que a plasticidade do material fotossensível vai imprimindo as marcas do fazer e expõem sua delicada superfície, vulnerável e frágil, protegida pelo suporte do vidro. O olhar é convidado a dedicar atenção e tempo para percorrer com suavidade tátil todos os detalhes, entornos, contornos, cantos, formas, fundos da imagem. Desejo, memória e pulsão emergem deste exercício.

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