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Sambaqui da Pedra Oca> Marina Ferreira


Sambaqui da Pedra Oca, Periperi - Subúrbio Ferroviário de Salvador


Como ocorreu (e ainda ocorre) em grande parte do território brasileiro, os povos originários foram assassinados, escravizados ou expulsos do território que lhe pertenciam e, infelizmente, suas histórias, que eram transmitidas pela oralidade, foram silenciadas, sendo possível recriá-las através da arqueologia e das memórias dos que resistem hoje.


Foi através da pesquisa arqueológica que Valentin Calderón identificou diversos sambaquis no Recôncavo Baiano durante suas investigações na década de 1940, em especial o Sambaqui da Pedra Oca, localizado na orla de Periperi, bairro do Subúrbio Ferroviário de Salvador. Ao chegarem nas terras litorâneas do que hoje chamamos de Bahia, os portugueses identificaram essas montanhas de cal e o extraíram para a construção das cidades coloniais. Grandes fazendas, engenhos, senzalas, casas de veraneio e quilombos surgiram na diversidade das belezas naturais existentes. Também a localidade, por sua proximidade ao mar, irá absorver os ritos religiosos afro-brasileiros, em específico o culto à Yemanja.


O “axé do Sambaqui” (RISÉRIO, 2004) traz em si a mestiçagem forçada dos povos ameríndios a partir da invasão portuguesa, e dos povos africanos a partir do seu sequestro e escravização, repleta de conflitos e resistências. Infelizmente, o Sambaqui da Pedra Oca, este arquivo vivo dos povos originários, está ameaçado devido à iminência da obra do Monotrilho, modal de transporte proposto pelo Governo do Estado da Bahia em substituição ao trem que irá alterar a paisagem cultural do Subúrbio e seus resquícios naturais, que é o caso do Sambaqui.


Falar sobre educação ambiental é, também, falar sobre memória, ferramenta essencial para luta a favor da preservação. Trazer o Sambaqui para o regime de visibilidade é, portanto, afirmar o direito à memória dos povos originários, do povo brasileiro como todo e, também, do meio físico tão necessário para a população negra que habita a região e depende do mar para sobreviver.

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