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O homem que vivia no chão...> Paulo Rocha




Como uma minhoca, tatu ou cobra,

só olhava o mundo do solo,

chafurdado no mais baixo nível.

Permanecia com o rosto colado à terra,

em visão próxima ao substrato,

aquele que nos suporta, mantém, aduba.

Não como um problema,

mas como uma escolha,

por defender que, dali, não apenas via,

mas sentia melhor do que do alto.

De sua perspectiva rente ao que pisamos,

esmagamos, ignoramos,

percebia sua única saída, seu triunfo.

Descortinava, de lá,

o fundamento de nossas vidas,

a raiz de nossas emoções,

o poder de sentir o pulso planetário

e o âmago latejante dos seres vivos.

Enfim, desde (de) baixo,

convivia com sua própria fertilidade

e acariciava, amorosamente,

seu próprio útero,

sua Mãe!

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