• molafurg

Monstruos> Lucas Lins



lambemos os pulsos

sentindo cuidadosamente

as cicatrizes pulsantes

de quem obrigatoriamente

pratica shibari


os laços afastados

como com um afago de mãe

que cata piolho

antes do mergulho

que nos afoga no fundo

da ferida que se abre

em cima da pele da terra

ardida

sara a água

pela pedagogia do rio

um desagüado que desaba sobre os ombros

sobre sermos segurados como vaso envolto em manto roxo

(um soco)


esse tempo é outro

dum si-ser submerso

caminhando lento

o empuxo certo

de pulmões cheios

de água: (vivos)


abram os caminhos:

passamos com trevas

pra essa que é a era dum cthulhu

diferente do ofício do amor


tent(amos esse espet)áculo

oito a dez espectadores

sendo quem dizem não ser

e o arranco-arrasto

deixando o chão: intacto


na sombra

(causada pela vale)

na lama

(causada pela grana)

o respiro, ainda


mas repetimos:

esse tempo é outro

vivendo no entre

do ontem e do hoje

no passo

de quem atua

e assiste também

nesse palco cheio de pó

chão de estrelas

poeira de magma

vestígios

(re)compondo nuvens

com as telas: somos

monstruos (idades).

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