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Escrita Translúcida> Bibiana de Paula


As ilustrações de Escrita Translúcida tratam-se da atual pesquisa teórica/poética de Bya de Paula. Esta obra e faz parte de uma série de ilustrações, propõem reflexões de cunho artisvista, no que diz respeito à conscientização das materialidades tecnológicas que se tornam obsoletas e que por consequência tornam-se lixo eletrônico.


A ilustração foi feita com as materialidades das fitas magnéticas K7, VHS e Compact Disk, o CD. Como técnica de ilustração, impressões experimentais foram criadas pela artista, que envolveram monotipias e frotagem sobre acetato, a partir destes materiais. Junto com a pesquisa poética as investigações tencionam questões entre a sociedade, cultura, educação e tecnologia que tem como intenção promover reflexões a cerca de uma suposta evolução tecnológica e sua utilização na cultura.


Problematiza a obsolescência programada dos dispositivos técnicos, em que estes influenciam e agendam os modos de vida em uma sociedade que cada vez mais inclui a tecnologia. Os aparelhos tecnológicos já nascem com o dia de sua morte programado, mesmo ainda estando eles em funcionamento. A pesquisa e reflexão poética também sugere uma visada sobre as questões políticas e econômicas deste resgate material feito por artistas, como o caso da utilização das fitas magnéticas sonoras e audiovisuais e suas materialidades.


Para onde vai toda essa materialidade obsoleta enquanto lixo eletrônico e químico e qual seu impacto no meio ambiente? O que sua utilização diz em relação ao tempo histórico no qual viviam estes aparelhos? Ao olharmos para suas materialidades, suas vísceras, o que estas poderiam nos dizer ao observarmos suas interfaces expostas? Como eram a vida destes aparelhos quando coexistiam ativamente com o homem histórico e que tipo de afetos eles possibilitaram consigo? Será que todo seu potencial tecnológico foi explorado? As fitas magnéticas poderiam nos sugerir outro tipo de visualidade além do que elas foram programadas?


Sobretudo e mais importante indagação poética... os aparelhos obsoletos, moribundos, mas que ainda vivem...quais seriam suas outras formas de vida? O que sonham estes aparelhos e suas materialidades no mundo contemporâneo onde subexistem?

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