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Arde, sangra e não morre > Rodrigo Pedro Casteleira




O fogo que devora a região amazônica, em que vivo, parece ser o princípio de ordem, progresso e tecnologia para a produção de alimentos. Contudo, a fome do fogo e a fome pelo fogo não morre. Ela arde, sangra e não morre. Ela faz arder, faz sangrar, mas não cessa. Para cada mês de exploração de um ano, uma bolsa do tamanho de um coração adulto com líquido rubro para lembrar o sangramento da terra e das vidas - não esqueçamos do casal de indígenas carbonizado, em 2019, no Assentamento Galo Velho na Zona Rural de Machadinho do Oeste (RO), morreram se abraçando, morreram pela fome das chamas. Fome capital que não alimenta e nem se interessa por dizimar a fome de alimentos dos povos, apenas interessa-se por alimentar-se de poder. Essa fome não preenchida represento com as bacias, vazias ou com sangue, para emular a fome e as políticas de morte. Um corpo entre cinzas e uma vegetação que insiste em tentativas de sobrevivências. Uma existência também que arde, sangra, mas que morre.

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