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Amor embalado> Diana Giraldo


Amor Embalado é a metáfora da ausência de amor e do excesso de substâncias plásticas no planeta. Em nosso sangue flui milhões de partículas de microplásticos que pouco a pouco vão substituindo a carne por intermédio de cirurgias médicas em busca de reconhecimento e identidade, de amor. As relações se transfiguram em sacolas plásticas de usar e descartar. O planeta se veste de embalagens para facilitar nosso consumo excessivo, facilitar nossas rotinas, nossas relações. E os seres que nascem nas águas - de forma abusiva - sobrevivem dentro dessa sopa de plástico antropocêntrica que rapidamente chega nos rios e o nos mares.


E o amor? Está embalado em químicos para enfeitar a ausência de amar, mas se deleitando no desejo sensual de corpos plastificados. Plástico - material maleável - que possui, de um só tempo, relações tão distintas para animais marinhos e seres humanos. Esse vídeo nasceu da experiência direta dos seus realizadores com mutirões voluntários de limpeza do principal rio da cidade do Recife (fotos), o rio Capibaribe.


Assistindo a quantidades absurdas de lixo plástico nas margem lameadas do rio e sua constante relação com os seres marinhos, surgiram rapidamente questionamentos: que possíveis sensações teriam esses animais com o material sintético? E quais seriam as nossas relações emocionais com o plástico? Mergulhar nas diversas e possíveis sensações que a própria dramaturgia corporal permite, experimentando um excesso de sacolas plásticas, atravessada pelo desafio do material nocivo e asfixiante, como uma segunda pele.


Acontecendo como um ato único que busca evidenciar a imperfeita capacidade humana de se relacionar com o próximo, com o espaço, com o mundo. O contaminado conceito de amor consigo mesmo, com o outro, com os animais e com a biosfera. Milhões de plásticos navegando, Voando e aterrados nas entranhas do planeta. Alguém os percebe? Destrói a existência. Contamina o amar. Camadas de desamor cobrindo a nossa pele. Microplásticos no sangue e sobre a terra. Não é possível mais respirar, fluir. A existência plástica será o nosso futuro? Identidades na pressa do consumo excessivo. Relações plásticas que escondem seu sentir mais orgânico e honesto. Corpos que aparecem, precisam de uma definição absoluta para o encontro para ser, para existir, para o outro. Camadas de desamor cobrindo a vida em si. O outro. A natureza.

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